Mundial de MX, as provas de Águeda

Quinze dias depois de ter conseguido a sua primeira vitória do ano em MX1, Gautier Paulin repetiu a dose em Águeda. O francês acabou por beneficiar de alguma sorte face aos seus adversários. Jeffrey Herlings esteve novamente imparável em ambas as mangas da classe de MX2 realizadas na pista do Casarão. Nem a fresca água que corre no leito do rio Vouga arrefeceu o forte andamento do campeão do mundo de MX2 perante mais de 20.000 espectadores.

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Texto: Pressrelease

Quinze dias depois de ter conseguido a sua primeira vitória do ano no traçado de Sevlievo na Bulgária o francês Gautier Paulin repetiu a dose em Águeda e colocou o seu nome na lista de vencedores da pista do Casarão. O francês acabou por beneficiar de alguma sorte face aos seus adversários depois ver António Cairoli cair na primeira manga quando discutia com ele a vitória, o mesmo se passando na derradeira corrida do dia quando Clement Desalle caiu com aparato no momento em que discutia a segunda posição na corrida com o piloto da Kawasaki.

Gauier Paulin foi inteligente na forma como abordou as duas mangas realizadas no Crossódromo do Casarão. O piloto da Kawasaki sabia que o mais pequeno erro pode ser desastroso numa pista como a do Casarão, exigente do ponto de vista físico e muito traiçoeira em toda a sua extensão. Por isso forçou quando o teve que fazer e levou os adversários a cometerem erros quando o tentaram ultrapassar.

Foi precisamente isso que aconteceu na primeira manga. António Cairoli assinou o melhor arranque e colocou-se na frente da corrida, mas ainda numa fase prematura da mesma o gaulês da KTM passou para a frente do siciliano e começou a definir o ritmo perante Cairoli e também Clement Desalle, os únicos a conseguirem rodar rápido num traçado muito exigente. Desalle era o que se mostrava em maiores dificuldades e na segunda metade da manga perdia mesmo o contacto com os dois primeiro, assegurando os pontos do terceiro posto. Cairoli estava forte na entrada para a última volta, colou-se a Paulin e atacou decidido a primeira posição na saída da curva 2 do circuito. Mas escolheu um sulco mau e uma pedra escondida no mesmo provocou uma queda aparatosa que deixou mesmo a sua moto sem travão dianteiro por força da quebra do apoio da manete do mesmo. Cairoli com a queda perdeu a segunda posição mas mesmo assim fechou em terceiro, depois de passado por Clement Desalle, que nunca se sentiu confortável com a pista.



Na segunda corrida Cairoli voltou a assinar o melhor arranque, mas desta feita fez valer a sua rapidez para ganhar uma vantagem curta mas preciosa face a Gautier Paulin. A corrida era novamente animada pelos mesmos três da primeira, com Desalle em terceiro a tentar colocar forte pressão sobre Desalle, tentando ultrapassar o francês para conseguir a sua quarta vitória consecutiva em Portugal. O belga dava tudo por tudo e na entrada para as derradeiras duas voltas atacou decidido o segundo posto, levando no entanto longe demais o seu esforço. Desalle arriscou no salto de mesa paralelo à linha de arranque mas saltou em demasia e quando passou nos primeiros ressaltos de travagem para a curva seguinte a velocidade era elevada e a suspensão não absorveu o impacto. Como resultado o belga foi ‘cuspido’ por cima do guiador da moto e caiu com violência. Felizmente não se lesionou com gravidade e mesmo sentido dores na costa e pescoço conseguiu levar a Suzuki até ao quinto posto final para ser mesmo assim o terceiro no GP de Portugal.

Gautier Paulin venceu o GP e subiu pela segunda corrida consecutiva ao degrau mais alto do pódio para recuperar alguns pontos para Cairoli, que ainda mantém a liderança do campeonato. Desalle foi terceiro, mesmo se perdeu posições para De Dycker e Searle na segunda manga e está na mesma posição do campeonato.

Rui Gonçalves esteve abaixo do que ele próprio esperava e não escondia a desilusão no final de ambas as corridas e mesmo terminando entre os dez primeiros ficou fora dos seus objectivos para o fim-de-semana. Já Hugo Santos e Hugo Basaúla, os dois ‘wild card’ para o fim-de-semana de GP de Portugal, tiveram sorte distintas. Santos conseguiu terminar ambas as corridas para pontuar apenas na segunda, onde foi 18º. Hugo Basaúla ressentiu-se de um entorse sofrido na qualificação no dia anterior e não alinhou na prova.


Corridas de MX2

Chamam-lhe ‘A Bala’ e é essa alcunha que mais uma vez justificou Jefrrey Herlings. Depois da demonstração feita ontem no decorrer da mangas de qualificação da categoria MX2 no Crossódromo do Casarão em Águeda, Jeffrey Herlings esteve novamente imparável em ambas as mangas da classe realizadas no circuito junto à cidade Águeda.

Herlings é definitivamente de ‘outro planeta’ quando se fala de mundial de motocross. O jovem piloto holandês chegou à sexta prova do campeonato do mundo de motocross invicto e assim permanece após um fim-de-semana de claro domínio, o mais evidente da temporada por força dos três melhores arranques conseguidos (qualificação e duas mangas) e pela diferença final superior a um minuto em ambas as corridas realizadas. No final do primeiro terço do campeonato do mundo de motocross 2013 Herlings mantém a invencibilidade na temporada, ele que está na frente do campeonato do mundo de MX2 desde Abril de...2012!

Em Águeda, numa pista dura e exigente do ponto de vista técnico e físico, o piloto da KTM demonstrou toda a sua superioridade ao longo de ambas as mangas realizadas, batendo a concorrência a caminho de mais uma dupla vitória no campeonato, a sexta consecutiva.

Conseguindo o melhor arranque em qualquer uma das mangas, o que ainda não tinha acontecido na época 2013, o piloto mostrou que está mesmo numa classe à parte, dominando sem qualquer problema ambas as corridas. Na primeira liderou a solo para fechar os 35 minutos mais duas voltas da corrida com mais de um minuto e 18 segundos de vantagem para o segundo classificado, neste caso o inglês Jake Nicholls, que conseguiu aqui o seu melhor resultado de sempre numa manga do campeonato do mundo de motocross. Nicholls beneficiou de uma queda do australiano Dean Ferris já na segunda metade da manga, ele que até então era segundo, com o rival da Yamaha a cair para a sexta posição. Na luta para chegar ao segundo posto Nicholls teve que bater igualmente Jordi Tixier, com este a cair a sucumbir igualmente aos ataques do inglês para cair e terminar na sétima posição.

Quem beneficiou igualmente da queda de Tixier foi o espanhol António José Butron Oliva, recuperando um lugar de pódio e abrindo as portas para mais um bom fim-de-semana na sua conta pessoal. Christophe Charlier seria o quarto classificado e Dylan Ferrandis o quinto no final de uma corrida muito animada...excepção feita à questão do primeiro lugar, sem história face ao domínio do ‘mago’ Herlings.

Na segunda manga Herlings voltou a dominar sem qualquer contestação, depois de assinar o terceiro ‘holeshot’ do fim-de-semana, batendo agora um mais consistente Dean Ferris que soube aguentar a pressão exercida pelos adversários. Herlings deu-se mesmo ao luxo de cair por duas vezes e mesmo assim manter a primeira posição e terminar com mais de 60 segundos de vantagem. Jordi Tixier mostrou-se mais cauteloso nesta segunda corrida e pensando no campeonato lutou com Ferris e quando não conseguiu passar o australiano deixou-se ficar pelo terceiro posto na manga na frente de Glenn Coldenhoff, este sim sem argumentos para o francês mas capaz de suportar a pressão exercida por Chistophe Charlier.

Feitas as contas ao GP de Portugal Jeffrey Herlings venceu o sexto GP do ano, agora na feita de Dean Ferris, que regressou ao pódio do campeonato, o mesmo se passando com Butron Oliva, o terceiro naquele que foi o seu terceiro pódio do ano. Herlings dilatou ainda mais a sua prova do campeonato, detendo agora uns expressivos 81 pontos face a Tixier, com Coldenhoff em terceiro e Butron em quarto depois de ter conseguido passar Charlier na luta por essa mesma posição.

‘Foi uma bom fim-de-semana. Fiz todos os melhores arranques e consegui um bom ritmo. O mais importantes foram mesmo os arranques, que finalmente consegui fazer e depois foi imprimir o ritmo. Na segunda manga cometi dois erros e caí – da segunda vez fiquei de pé mas a moto caiu. Mesmo assim fiquei sempre na frente e agora penso já na próxima corrida...com os mesmos objectivos...vencer.’ Palavras do dominador Jeffrey Herlings... imparável neste mundial 2013.


Galeria de Imagens


Classificações MX1

1ª Manga

1º Gautier Paulin – Kawasaki 21 voltas
2º Clement Desalle – Suzuki a 20.053s
3º António Cairoli – KTM a 36.700s
4º Max Nagl – Honda a 41.427s
5º Jeremy van Horebeek – Kawasaki a 44.140s
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9º Rui Gonçalves – KTM a 1m28.350s

2ª Manga

1º António Cairoli – KTM 21 voltas
2º Gautier Paulin – Kawasaki a 3.804s
3º Ken De Dycker – KTM a 8.306s
4º Tommy Searle – Kawasaki a 8.912s
5º Clement Desalle – Suzuki a 21.757s
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11º Rui Gonçalves – KTM a 53.152s

Campeonato MX1 (após seis provas)

1º António Cairoli – KTM 280 pontos
2º Gautier Paulin – Kawasaki 242
3º  Clement Desalle – Suzuki 227
4º Ken De Dycker – KTM 217
5º Kevin Strijbos – Suzuki 183
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8º Rui Gonçalves – KTM 131


Classificações MX2

1ª Manga

1º Jeffrey Herlings – KTM com 21 voltas
2º Jake Nicholls – KTM a 1m18.848s
3º José Butron – KTM a 1m21.605s
4º Christophe Charlier – Yamaha a 1m27.979s
5º Dylan Ferrandis – Kawasaki a 1m30.999s

2ª Manga

1º Jeffrey Herlings – KTM com 21 voltas
2º Dean Ferris – Yamaha a 1m08.304s
3º Jordi Tixier – KTM a 1m10.100s
4º Glenn Coldenhoff – KTM a 1m13.897s
5º Christophe Charlier – Yamaha a 1m20.092s

Campeonato MX2 (após 6 provas)

1º Jeffrey Herlings – KTM com 300 pontos
2º Jordi Tixier – KTM 219
3º Glenn Coldenhoff – KTM 183
4º José Butron – KTM 178
5º Christophe Charlier – Yamaha 171


Publicado em 2013-05-06 13:05:00