Triumph: Santiago Mulas, a entrevista

A Triumph inaugurou o seu ponto de venda de Lisboa, agora que a representação está a cargo de uma nova empresa, a KMS. O sábado passado foi dedicado a apresentá-lo a clientes e para isso esteve em Lisboa o Director Geral da Triumph Ibérica, Santiago Mulas. Nos aproveitámos para falar um pouco com ele.

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Santiago Mulas é o actual Director Geral da Triumph Ibérica e esteve em Lisboa durante a abertura do renovado ponto de representação da marca inglesa. Com uma vasta experiência de gestão, vendas e consultoria, Santiago Mulas passou já pelo sector automóvel em marcas como a Porsche, Mercedes e Seat. Mas a sua paixão foram sempre as motos e está aos comados da Triumph Ibérica desde o início de 2012.
 
Como se sente com esta recepção para a abertura da nova loja?
Quando cheguei aqui fiquei bastante surpreendido pela quantidade de pessoas que apareceu, o que demonstra que continua a haver uma grande paixão pela marca em Portugal.
 
Já conhecia o mercado português?
Sim, tenho pouco tempo com a Triumph, pouco mais de um ano, mas já tinha estado nestas instalações e nas do Porto e sinto agora uma grande mudança.
 
Quais as mais valias desta nova parceria com a KMS?
A KMS é uma empresa que esta a trabalhar há 5, 6 anos e estamos a beneficiar de uma equipa muito profissional, boa capacidade financeira, necessária neste momento para enfrentar as exigências do mercado, e uma postura muito dinâmica para enfrentar esta nova etapa em Portugal.
 
Qual a sua opinião sobre o mercado português?
O mercado português, tal como o europeu, está a decrescer, e todos nós no sul da Europa estamos a sofrer mais. O mercado das motos, tal como o mercado financeiro, está a sofrer tanto em Portugal como em Espanha e Italia, ainda assim a Triumph está a comportar-se relativamente bem dentro desta situação, especialmente em Espanha. Em Portugal ainda há algum caminho a percorrer o que leva a acreditar que o crescimento irá se grande.
 
Como está a Triumph em Espanha?
Neste momento em Espanha a Triumph é a quinta marca com mais vendas acima dos 500 cc, com uma quota de marcado de quase 8%. Em Portugal a Triumph está com uma quota de 2% e se compararmos, vemos que há muito trabalho a fazer.
 
A quota de mercado de 8% é possível de atingir em Portugal?
Sim é garantido que conseguimos chegar, a questão é em quanto tempo. De qualquer forma esta não é uma corrida ao sprint mas antes de grande distância. Vamos chegar! A qualidade e variedade da gama que possuímos possibilita isso. A quota a nível mundial é de 5% e na Europa de 6, 7%, pelo que não há razão para que Portugal não atinja esses valores.
 
Quais o planos para cumprir esse objectivo?
Para já renovamos as duas instalações que já haviam, em Lisboa e Porto. Embora estejam no mesmo lugar, que facilita a vida aos clientes, foram profundamente renovadas. Há pessoas novas, formação específica, planos de marketing e junto da imprensa, veículos de demonstração e um ponto muito importante, dar resposta aos clientes já existentes a nível de peças e serviço de oficina. Há que colocar a marca no nível em que deveria estar. Queremos dar essa confiança ao cliente.


 
 
Que soluções específicas têm preparadas para apagar a imagem de incerteza do passado?
Os clientes têm tido muita paciência e temos por isso que lhes demonstrar que agora o trabalho é o correcto. Não vamos inventar nada, vamos fazer as coisas bem e vamos contar com o apoio da fábrica via Espanha. Há a preocupação de tornar as encomendas de peças um processo muito rápido, que os mecânicos tenham a formação e as ferramentas necessárias para o correcto diagnóstico e reparação. No fundo trabalhar de forma metódica e organizada com processos de trabalho de qualidade. Não temos de inventar a roda, apenas temos de fazer as coisas bem e existem o meios para o fazer.
 
Quanto à rede de concessionários, vão manter-se apenas as duas lojas actuais?
A curto prazo não existem planos de espandir, ainda não chegámos ao ponto de sentir essa necessidade. Se o mercado melhorasse evidentemente que iríamos estudar novos pontos de venda.
 
Existem soluções para os clientes que fiquem longe destas concessões?
Por não termos as dimensões de uma marca japonesa temos limitações quanto aos pontos de representação. Os clientes estão dispostos a viajar um pouco para comprar uma moto, já para realizar as assistências torna-se mais complicado. Há algumas soluções que estão em estudo, mas ainda não estamos em posição de avançar com nenhuma. Em Espanha temos este mesmo problema em algumas zonas e os concessionários têm feito algumas acções, como recolha das motos nos clientes, assistência no local, com uma viatura de reparação totalmente equipada. Mas neste momento para Portugal estamos focados em implantar estas duas lojas.
 
Da actual gama da Triumph que modelo destaca como mais importante?
Temos actualmente 23 modelos e deles existem três pilares importantes, as clássicas, Bonneville, Thruxton, Scrambler, o modelo de entrada na marca, a Street Triple, e a Tiger 800 que é uma moto muito prática e serve para fazer muitas coisas. Estas três gamas representam cerca de 80 a 90% das vendas totais.
 
Se coubesse a si a decisão de um novo modelo para a gama que gostaria de ter?
Isso é complicado. A pergunta remete para duas componentes, a puramente comercial de que moto funcionaria, e que moto eu gostaria de ter mesmo que não fosse um êxito de vendas. A Triumph tem entrado em muitos segmentos onde nunca tinha estado, a gama começou com 6 modelos e agora é composta por 23. Há segmentos que tiveram uma grande importância até há pouco tempo, como as superdesportivas grandes e que agora estão em recessão. Gostaria de ter uma superdesportiva grande? Sim. Venderia? Muito pouco de certeza. 
Penso que deveremos manter uma grande atenção na gama das clássicas, é sólida e ainda temos alguma coisa por fazer. Haverão modelos novos no futuro, mas a curto prazo não creio que a marca vá entrar em muitos segmentos novos.
 
A sua carreira teve passagem por alguma marcas de automóvel, que características destacarias entre os dois mercados?
O meu passado profissional esteve muito ligado aos automóveis, mas fui sempre um apaixonado por motos. Em papel as estruturas das representações são muito semelhantes entre automóveis e motos, depois de na realidade do dia-a-dia existem muitas diferenças. Todas elas são muito marcada pelas dimensões(mais pequenas nas motos), dos importadores, dos concessionários, e isso traz algumas limitações quanto à capacidade financeira. Por outro lado quase todas as pessoas envolvidas no mundo das motos são apaixonados e acabam por se envolver mais. A paixão é o que mais destaco na área das motos.
 
Para terminar, imagine que tem de escolher apenas uma moto da gama para si, qual seria?
Supondo que não podia usar mais nada escolheria ou uma Bonneville ou uma Thruxton, apesar de actualmente utilizar todos os dias uma Trophy, que é uma excelente moto para viajar. Mas a Bonneville ou a Truxton têm aquele "sabor" especial.

Publicado em 2013-04-15 17:04:00