Honda Goldwing: no seu reino

A estrada é o reino da Goldwing e quanto mais "aberta" e rápida melhor, assim despacham-se quilómetros de forma mais eficaz. É uma verdadeira "pápa-léguas".

120624_hondagoldwing_estrada_04.jpg

 

Não tinha grandes dúvidas quanto às capacidades da Goldwing em estrada e auto-estrada. Não foi a primeira vez que fiz longos quilómetros com o modelo, mas estava curioso para perceber quais as diferenças para o modelo anterior. As memorias que tenho da anterior 1800 foram já esbatidas no tempo, mas uma rápida leitura nos artigos que escrevi na altura recordaram-me as sensações que tive. 
 
Face ao anterior modelo o que de maior diferença senti foi a "certeza" do pisar da Goldwing, não é uma mudança radical, mas dá-me a ideia de que a frente transmite melhor o que se passa com a direcção, permitindo uma condução um nadinha mais empenhada e confiante. De resto pouco senti de diferente, talvez se note um maior conforto na forma com o ar é afastado de nó pelas carenagens, dá ideia de criar menos turbulência nas nossas costas e traseira do capacete.
 
Na minha deslocação para o Algarve, a viagem que fiz durante este contacto, optei por ir por auto-estrada e regressar pela nacional. Em auto-estrada pouco há a apontar além do estremo conforto em que somos envolvidos. Aproveitei estas condições para gozar de um pouco de música, que minha ligada através das entradas auxiliares, quer através do receptor de rádio do sistema. Em ambas as situações o som tem uma elevada qualidade e é audível mesmo a velocidades elevadas. 
 
Mantive ao longo de todo o trajecto uma velocidade constante com o auxílio do "cruise control" mais um sistema que ajuda a aumentar o nosso nível de descontracção. O melhor que temos a fazer na Goldwing é desfrutar da paisagem. O motor tem binário para rolar sempre em quinta (a relação mais alta) e usarmos apenas o acelerador quando queremos aumentar a velocidade. è totalmente dispensável recorrer à caixa nesta situação.

 
 
 
Quando se passa para estrada existe uma característica que entra em campo de imediato, o peso da Goldwing. Em estradas rápidas com curvas é necessário fazer algumas "contas" à normal inércia dos perto de 500 kg do conjunto (bagagem e piloto incluídos). É que as sensações que a Goldwing transmite são de grande leveza e facilidade de condução, mas nas travagens mais fortes e situações limite não há forma de disfarçar toda esta massa. Contudo todas as reações são de grande neutralidade e nobreza, apenas há que saber manter a calma e confiar nos travões e ABS. 
 
É possível fazer uma condução bastante rápida com graus de inclinação surpreendentes, as limitações veem dos pousa-pés que rapidamente estão a bater no chão. Entrar em curva é bastante fácil, bastando usar o guiador para contra-brecar e colocar todo o peso da Goldwing com a inclinação certa para a trajectória. Leva o seu tempo a responder mas tudo sai com naturalidade e o quadro mantém uma estabilidade impressionante mesmo em zonas com piso menos regular.
 
Apenas temos "reclamações" se tentarmos mudar de direcção de forma demasiado rápida, num "S", com o conjunto a mostrar algumas oscilações de descontento. Nada de grave nem preocupante, apenas uma chama de atenção para as características da moto que estamos a conduzir. Os travões são muito bons, directos na resposta e muito potentes, caazes de parar a Goldwing com facilidade. O sistema integral Dual-CBS e o ABS em muito ajudam neste modelo de peso tão elevado.
 
Na verdade conduzir uma Goldwing é sempre uma agradável surpresa já que todas as reacções são muito fáceis de controlar, tudo responde de forma neutra e poucas são as situações em que temos de nos aplicar para dominar os mais de 400 kg de peso.

 


Publicado em 2012-06-25 17:06:00