Harley-Davidson Street Glide: o teste

A Street Glide surge este ano equipada com o motor Twin Cam 103 e algumas actualizações, mas é na pintura amarela do modelo que testamos que mais se destaca.

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Por: Marcos Leal

Quem me conhece melhor sabe que sou uma pessoa que faz por passar despercebida na maioria das circunstâncias. Quando fui levantar a Street Glide para testar soube que durante uma semana isso seria totalmente impossível. E assim foi! Não houve rua por onde passasse nem local onde parasse que não tivesse alguém a apreciar a Glide. Além de ser um dos modelos mais volumosos da Harley, esta unidade vem decorada num profundo e vibrante amarelo. Estavam reunidas todas as condições para "dar nas vistas". Os comentários passaram sempre por "grande máquina", "brutal", "parabéns". Os olhares... bem, os olhares poderiam ser de simples contemplação, admiração, desdém, inveja, ou simplesmente, "bimbo!".

Decoração à-parte, a cor de facto não faz o meu género, mas confesso que gostei de andar com elas estes dias, a Street Glide destaca-se por muitas outras e excelentes características. No campo estético este modelo continua a ser fortemente marcado pela grande carenagem tipo "asa de morcego" que monta na frente, fixa à direcção. Esta é uma carenagem desenhada por Willie G. Davidson e montada pela primeira vez numa touring, em '69. É marcante, quer pela frente quer vista do lado do condutor, onde encontramos um vasto números de mostradores, um rádio, os respectivos altifalantes e os espelhos retrovisores. Mesmo com tudo devidamente integrado esta é uma estrutura volumosa e que garantidamente coloca bastante peso sobre a direcção.

Na traseira são as malas rígidas GTX, da mesma cor da moto o que se torna mais marcante. Estas são práticas de utilizar, possuem um pouco mais de 30 litros de capacidade cada e pouco atrapalham na condução em zonas mais apertadas, já que a nossa preocupação será sempre com a largura da "asa de morcego" montada no guiador. A sua colocação muito baixa garante que mesmo quando bem carregada não alterem a maneabilidade da Street Glide, que é surpreendentemente ágil, mesmo com todo o peso colocado sobre o guiador. Voltando à traseira destaca-se ainda o a simplicidade do conjunto de luzes que é reduzido aos normais "piscas", onde se alojam igualmente as luzes de presença e "stop". Tudo com lâmpadas LED, um minimalismo que acaba por se unir muito bem com a volumetria da frente.



Sentado no "posto de comando" não posso deixar de salientar o depósito de combustível que tem a Street Glide, com uma forma clássica simples mas com uma excelente capacidade de mais de 22 litros. O suficiente para nos fazermos à estrada e não parar durante muitos quilómetros. Infelizmente durante os dias em que tive esta moto, São Pedro esteve às avessas com alguém e enviou chuva com fartura. Como não queria manchar os cromados acabei por parar mais vezes do que desejava nas várias viagens que fiz.

Em estrada de montanha fiquei bastante surpreendido com a distância ao solo que a Street Glide apresenta. Mesmo com uma traseira baixa é possível abordar as curvas com algum à-vontade sem que algo roce no piso. As minhas mais recentes memórias com uma Harley tinham sido com uma Switchback, que me obrigou a repensar o estilo de condução numa viagem de fim de semana com uns amigos mais acelerados. Com a Street Glide estamos bastante mais libertos.

Mas o prazer maior passa mesmo por sentir o pulsar, as vibrações, que o bicilíndrico Twin Cam 103, emana a cada aceleração que lhe imprimimos. É um prazer passar de caixa e sentir a força que gera a baixas rotações e a forma deliciosamente preguiçosa mas consistente com que sobe de regime até perto das 3000 rpm. Daqui para cima o bicilíndrico ganha uma nova vida e solta-se, esquecendo as "mordaças" do binário a baixa rotações, para nos servir com a rapidez dos cavalos de potência.

Por muito que se fale em "entrega de potência refinada", "binário a baixa rotação" e "murmurar", a verdade é que chega sempre aquele momento em que queremos rodar o punho e, por muitos cromados que a nossa moto possua, queremos sentir que a subida de rotação é rápida e esta se transforma em pura aceleração. A partir das 3000 rpm o "103" da Glide abre as "goelas" e as sua característica calma transforma-se numa postura bem mais alegre, capaz de satisfazer alguns desejos de superação nos "tais" passeios com os "amigos acelerados". E garanto-vos que chega para não se passar vergonha.

Mas é a deslizar pelas avenidas e estradas à beira-mar (no meu caso à beira-rio) ou a pousar numa rua movimentada ou à porta do café, que a Street Glide melhor expressa a sua forma de ser.


   MOTOR

O Twin Cam 103 é a unidade motriz que anima a Street Glide de 2013, que dá continuidade a uma tradição de motores bicilíndricos refrigerados por ar, mas com tecnologia moderna. Por muito que se fale em "entrega de potência refinada", "binário a baixa rotação" e "murmurar", a verdade é que chega sempre aquele momento em que queremos rodar o punho e, por muitos cromados que a nossa moto possua, queremos sentir que a subida de rotação é rápida e esta se transforma em pura...

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   CICLÍSTICA

Na ciclística da Street Glide nada sobressai no capitulo tecnológico ou de funcionamento, mas em conjunto surpreende pela maneabilidade a baixa é média velocidade.Desde que não se peça à Street Glide para atacar uma estrada de montanha com uma condução desportiva, tudo o que se pode esperar dela é harmonia. Embora muito pesada esta moto acaba por se demonstrar muito mais maneável a baixas e médias velocidade do que seria expectável. Nem mesmo a pesada carenagem montada no topo das...

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   CONFORTO

Não sendo uma "alucinação" no que respeita a equipamento, a Street Glide apresenta um bom número de elemento e sistemas de ajuda à condução. Por trás da "asa de morcego" escondem-se vários elementos que nos ajudam na condução e entretêm durante as viagens mais longas. Entre os elementos facilitadores da condução destaco o cruise-control. Cada vez mais encontro vantagens neste sistema, em especial nas motos pensadas para viajar. Poder fazer longos quilómetro em estradas direita sem ...

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   GALERIA DE IMAGENS


 


Publicado em 2012-11-09 18:11:00