Triumph Tiger Explorer, comportamento

O comportamento dinâmico da Triumph Tiger Explorer é claramente marcado pelo motor, com uma resposta e funcionamento muito característico, pela boa protecção aerodinâmica e por umas suspensões firmes.

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Texto: Marcos Leal

Ao colocarmos a Tiger Explorer em funcionamento somos de imediato envolvidos pelo rumorejante ruído do motor. Abrir o acelerador dá-nos uma nota aberta de escape que nos coloca de sobreaviso para o que o motor tem para oferecer. E é de facto a resposta do motor um dos aspectos mais marcantes desta trail, cheio desde rotações muito baixas e com uma resposta muito plana até ao corte de ignição. O tacto do acelerador da Tiger é, no entanto  excessivamente directo, qualquer movimento no punho altera a resposta do motor. Numa condução rápida e mais activa esta é uma boa característica, já que sentimos que existe uma ligação directa entre o que fazemos com o punho direito e a potência que a roda traseira coloca no chão.

Mas quando queremos apenas rolar tranquilamente temos uma grande dificuldade em manter a mesma velocidade. Qualquer movimento do braço, um buraco, vento na manga do blusão, altera a aceleração do motor e andamos num constante acelera/desacelera. É cansativo e chega a ser irritante se levarmos um "pendura". Encontrámos uma solução, se desligarmos ou passarmos o controlo de tracção para o modo 2, o acelerador passa a ter uma sensibilidade "normal". É directo quanto basta e não existe qualquer dificuldade em ter uma aceleração constantes.

Alterar a definição do controlo de tracção é uma operação rebuscada, que obriga a parar a moto, colocar em ponto morto, correr os menus de afinação no painel de instrumentos, seleccionar a opção pretendida e fazer o OK. E isto tem de voltar a ser feito sempre que se desliga a moto, porque quando voltamos a ligar ela passa para a posição standard de TC ligado no modo 1. Tendo em conta que para andar descontraído temos de mudar a definição deste, estão a ver o isto nos vai levar. Haverão formas mais lógicas para se fazer esta escolha, já vai para mais de um década que os controlos de tracção existem nas duas rodas e este é um dos menos intuitivos e lógicos de utilizar. O seu funcionamento é eficaz em no modo standard, cortando o motor de forma segura, mas bastante intrusiva. Colocado no modo 2, pensado para o off-road, pareceu-nos termos um pouco mais de liberdade para usar o escorregar da roda traseira à saída de curva.

As suspensões são extremamente secas na resposta. Funcionam bem em conter o movimento das longas suspensões se o piso for bom, mas assim que este se degrada a Tiger saltita bastante não permitindo aplicarmo-nos na condução. Se for conforto que procuramos, vai ser difícil conviver com estas suspensões, que mesmo colocadas na afinação mais macia da pré-carga da mola são muito firmes. No campo de conforto vale-nos a protecção aerodinâmica bem conseguida, pela pouco volumosa frente, mas muito bem desenhada. O ecrã, que é regulável em inclinação, garante uma plena protecção da cabeça e tronco, e a parte mais larga ao lado da óptica chega para criar uma zona de conforto para os braços.

A Tiger vem equipada de série com um prático sistema de controlo de velocidade, "cruise control", que nos liberta da preocupação de manter um velocidade constante nas longas tiradas em autoestrada. A caixa de velocidades é bastante precisa, embora pudesse ser um nadinha mais suave e o veio de transmissão, embora volumoso, não se faz sentir na condução, com o seu comportamento muito neutro. A Triumph garante que este é de uma fiabilidade e robustez inquestionável. No que toca à travagem a Tiger está equipada com ABS que pode ser desligado, também este através do menu no painel de instrumentos. O conjunto funciona muito bem com uma potência suficiente e uma grande progressividade no conjunto dianteiro, importante para quem se quer aventurar fora de estrada em piso com pouca aderência.


Publicado em 2013-05-03 11:05:00